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Ahmadinejad, Julio Cardia e o que ninguém viu

25/11/2009

Na segunda-feira,23, durante uma  coletiva do presidente do Irã Marmuhd Ahmadinejad, o  brasiliense Julio Cardia driblou a segurança e entrou no local da entrevista chegando a erguer uma bandeira com as cores do arco-íris. O protesto contra Ahmadnejad tinham como motivação a intolerância com que o governo do iraniano  trata os homossexuais, quase sempre manifestada no assassinato dessas pessoas. Esse fato foi pouco noticiado e até agora, não encontramos imagens do protesto solitário,mas, não menos importante ,de Julio Cardia. Não sabemos como uma manifestação como esta não foi fotografada ou filmada, mesmo acontecendo diante da imprensa internacional,presente na coletiva. Ou sabemos? Abaixo, segue um artigo do colunista da revista Veja, Reinaldo Azevedo, postada originalmente no site da revista.

Pelo menos um macho para afrontar Ahmadinejad. E é gay

Por Reinaldo Azevedo

segunda-feira, 23 de novembro de 2009 | 23:48

No título acima, exploro, evidentemente, o clichê que consiste em associar a coragem à macheza. É claro que se trata de uma bobagem. Sei que não é coragem que faz a fêmea da maioria das espécies proteger a cria com a própria vida se preciso. A sobrevivência da espécie explica o ato. Entre os humanos, a maioria das mães também daria a vida por seu filho — e, aí, já é coragem, sim. Logo, esta não é um atributo masculino; tampouco está relacionada à condição sexual de cada um.

Estou, claro, fazendo um gracejo e uma homenagem ao rapaz que entrou na entrevista coletiva de Mahmoud Ahmadinejad carregando a bandeira gay. Foi posto pra fora pela Polícia Federal. Mais gente deveria tê-lo imitado, levando outras tantas bandeiras — de todos os que são perseguidos por aquela ditadura teocrática disfarçada de governo popular, onde as divergências são tratadas a bala.

Na entrevista concedida a William Waack, Ahmadinejad disse que o homossexualismo é contra a natureza e ameaça a humanidade. É mesmo? Ninguém se torna homossexual porque quer ou porque foi “contaminado por uma doença”. A porcentagem de pessoas com essa característica deve ser a mesma desde que o homem está na terra. Todos sabem que sou contra o tal projeto que criminaliza a dita “homofobia”, por exemplo. Considero que se trata de uma bobagem patrulheira que mais reforça a discriminação do que serve para aplacá-la. E é preciso dizer: os homossexuais não são nem nunca foram ameaça a coisa nenhuma!

O que ameaça a humanidade é a corrida nuclear; o que ameaça a humanidade é a intolerância; o que ameaça a humanidade é o desejo declarado de destruir um país; o que ameaça a humanidade é negar o horror do Holocausto; o que ameaça a humanidade é o não-reconhecimento dos direitos fundamentais de um indivíduo; o que ameaça a humanidade são as sociedades que rejeitam o habeas-corpus…

É por isso que afirmo, no uso-clichê que faço da linguagem da linguagem, que houve alguém “macho” o bastante para deixar isso claro a Ahmadinejad. Um macho gay.

Está de parabéns!

Fonte: Site da revista Veja

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