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O BBB10 e a diversidade sexual, na opinião de Maria Berenice Dias

23/01/2010

Os coloridos

por Maria Berenice Dias, advogada especialista em direito homoafetivo

Ninguém entende bem este fenômeno, mas que é uma realidade é: todo mundo adora saber da vida alheia!

Talvez esta seja a singela explicação para o sucesso do BBB – Big Brother Brasil, reality show agora na sua décima edição.

Os participantes, em sua grande maioria, são jovens cheios de sonho, de diversas origens e distintas condições sociais e culturais.  Eles não se conhecem, mas têm algo em comum, todos querem ganhar o cobiçado prêmio. Para isso não podem ter nenhuma dificuldade em se expor, pois, ao aceitarem o desfio de serem vigiados 24 horas por dia, abrem mão da própria privacidade.

Na casa, ninguém tem compromisso com nada e ninguém, e não precisa ter preocupação sequer com a própria subsistência. Naquela verdadeira ilha da fantasia, tudo é permitido, intrigas, brigas e romances, em um contexto de muita festa e licenciosidade.

A cada edição algumas mudanças ocorrem ainda que o espírito de competitividade permaneça sendo a tônica. A preocupação de cada um para lá permanecer é cair nas boas graças do povo, único critério seletivo para ter a chance de sair vitorioso. Os espectadores acabam desempenhando o papel de deuses, pois têm a possibilidade de expulsar qualquer morador daquele paraíso.

Na edição que acaba de iniciar, de forma absolutamente surpreendente foram selecionados três integrantes da população LGBT: uma lésbica, um gay e um travesti que atua como drag queem, formando o grupo chamado “os coloridos”.

Depois da vitória do Jean, na 5ª edição do BBB, um personagem discreto que só revelou sua orientação sexual quase no final do programa, a mudança é radical. Ao menos nesta bolha que retrata um mundo ideal, o preconceito não existe. De ninguém é excluído o direito de viver em um mundo que procura retratar as pessoas como elas são.

Como a televisão está presente na grande maioria dos lares, é significativo que todos vejam que há a possibilidade de um convívio respeitando as diferenças. Todas as pessoas são iguais, pois todas elas, sem exceção, só querem ter a chance de ser feliz.

Certamente deste compromisso tomou consciência a produção do BBB ao permitir que os brasileiros apreendam a ser tolerantes e a conviver com o outro sem discriminar, agredir ou matar pelo só fato de o outro ser diferente.

Diante de uma sociedade ainda tão homofóbica, em que a diversidade sexual não é respeitada e a homoafetividade ainda não obteve reconhecimento legal, a experiência só pode ser promissora. Afinal, “big brother” significa “grande irmão” e a fraternidade precisa mesmo ser cultivada.

Publicado originalmente em http://www.direitohomoafetivo.com.br

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  1. Natália permalink
    24/01/2010 10:22

    A diversidade é lindo, colocar ela aos olhos de inúmeras pessoas é maravilhoso, porém ter o dom de saber fazer isso sem transformar em piada ao publico é a dificuldade.
    O jogo da midia ataca e todos somente ve a diversidade atuando, vejo o ibope q recebe colocando um gay, aconteceu na 5 temporada do BBB e ira acontecer nessa.
    Não acredito na quebra de preconceitos colocando gays, lesbicas ou quem for, acredito nos iludimos facil e queremos ver o superficial o que encontra-se encondido nas entre-linhas ninguem quer notar.
    O mundo Global que eles se encontra vira a favor do dinheiro e só por isso q a diversidade encontra-se presente.

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