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Dica de Livro

06/12/2010
Anualmente, no mês de junho, várias cidades brasileiras são cobertas por bandeiras coloridas e tomadas por multidões que se reúnem para celebrar a diversidade e festejar a visibilidade conquistada no espaço social – a Parada Gay realizada em São Paulo é apontada como a maior do mundo. Apesar disso, o Brasil ainda está entre os primeiros países no índice de crimes de ódio contra homossexuais. Direitos básicos, como o casamento, são negados. Esta é uma das várias questões abordadas por Retratos do Brasil Homossexual – Fronteiras, Subjetividades e Desejos (Imprensa Oficial/Edusp), com lançamento marcado para este sábado (4), às 16h, na Casa das Rosas (Av. Paulista, 37 – Bela Vista – São Paulo/SP).
A publicação traz artigos e ensaios apresentados durante o IV Congresso da Associação Brasileira de Estudo da Homocultura (Abeh), realizado na USP em setembro de 2008. Cerca de 1/3 deles foi selecionado pelos organizadores para fazer parte da obra. O restante foi reunido em um CD, que acompanha o volume. A organização é de Horácio Costa, presidente da Abeh na época do congresso, Berenice Bento, Wilton Garcia, Emerson Inácio e Wiliam Siqueira Peres.
A obra é dividida em cinco partes, cada uma com artigos relativos aos respectivos temas: Homocultura e Direitos Humanos , Homocultura e Literatura, Homocultura e Artes, Universo Trans e Pensar “Identidades”. Alguns dos textos foram produzidos por participantes do congresso que vieram da América Latina e da Espanha, como Fernando Grande-Marlaska, juiz em exercício na Audiência Nacional, equivalente ao Supremo Tribunal Federal espanhol.
O primeiro texto trata de uma das questões mais polêmicas discutidas atualmente, a união entre pessoas do mesmo sexo. “Assegurar somente aos heterossexuais a possibilidade de formar uma família afronta o princípio da igualdade. E, como que vivemos em um Estado democrático de direito – e vivemos – não há como condenar à invisibilidade uma parcela de cidadãos. É uma forma muito perversa de exclusão”, afirma Maria Berenice Dias. De acordo com ela, desde 1992 o Brasil é signatário do Pacto dos Direitos Civis e Políticos da ONU, que em dois artigos proíbe a discriminação por motivo de opção sexual. “Ou seja: negar direitos aos homossexuais é descumprir tratados internacionais, o que compromete a credibilidade do país perante o mundo”. Para ela, isso acontece porque a aparente restrição constitucional, ao invés de sinalizar neutralidade, encobre um grande preconceito que motiva a omissão do legislador, porque existe o receio de ser rotulado de homossexual, desagradar seu eleitorado e comprometer sua reeleição. Isso impede a aprovação de qualquer projeto que assegure direitos à parcela minoritária da população.

Entre os diversos assuntos abordados na obra estão as diferenças entre os movimentos americano e brasileiro na luta pelos direitos homossexuais; o debate sobre a diversidade de gêneros; o homoerotismo nas poesias brasileira, portuguesa e mexicana do Modernismo; o humor e a homofobia; as representações do gay no teatro brasileiro; o tratamento dedicado aos travestis em algumas cidades brasileiras; trajetória da militância política de gays e lésbicas no País; as práticas sutis de discriminação; os efeitos das chamadas club drugs, substâncias utilizadas principalmente por frequentadores de clubes noturnos e raves para facilitar a interação social; e o papel desempenhado pelos veículos de imprensa destinados ao público gay na construção das diferentes identidades da comunidade homossexual.

 

Fonte: Publish News

 

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