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Último sobrevivente homossexual da Segunda Guerra Mundial morre na França

04/08/2011

 

Rudolf Brazda, o último sobrevivente dos “triângulos rosas”, os homossexuais internados em campos de concentração durante a Segunda Guerra Mundial, morreu na quarta-feira aos 98 anos em Bantzenheim, leste da França.

“Rudolf entrou em sono profundo na madrugada do dia 3 de agosto. Desde junho ele vivia em um centro hospitalar para idosos em Bantzehheim”, na região da Alsácia, comunicou sua família.

O funeral de Bradza, que nasceu em 26 de junho de 1913 na Saxônia (leste da Alemanha) em uma família tcheca de língua alemã, será realizado na segunda-feira em Mulhouse, ao sul de Bantzenheim.

“De acordo com o seu testamento, o corpo será incinerado e suas cinzas depositadas ao lado das do seu companheiro Edouard Mayer, com quem viveu por mais de 50 anos, e que faleceu em 2003”, contaram amigos próximos.

Rudolf Braza foi um dos dez mil deportados por Adolf Hitler devido à orientação sexual, já que os nazistas consideravam os homossexuais um perigo para a continuidade da raça.

Brazda se deu conta de sua homossexualidade como uma “disposição natural” que aceitou normalmente, “consciente de ter tido a sorte de ter ao seu lado um companheiro”, conforme ele mesmo disse em certa ocasião.

Em 1937 ele foi condenado a seis meses de prisão por participar de “uma orgia entre homens” e, mais tarde, foi expulso e levado à então Tchecoslováquia. Neste país, foi novamente julgado e condenado a 14 meses de detenção pelo mesmo fato.

Após cumprir pena, Brazda foi deportado a Buchenwald por ser considerado reincidente. Sobreviveu a 32 meses de maus tratos e humilhação graças a sua amizade com um chefe comunista e “um pouco mais de sorte que os outros”. No local, do qual foi libertado em abril de 1945, foi obrigado a usar um triângulo rosa, símbolo que estigmatizava os homossexuais.

O drama dos “triângulos rosas” permaneceu desconhecido até 1980, quando foram publicados livros, rodados filmes e encenadas peças de teatro que discutiam a questão.

Brazda saiu do anonimato em 2008, quando a Alemanha inaugurou um monumento para homenagear os “triângulos rosas” e anunciou que apenas uma testemunha do horror permanecia viva.

Um mês depois foi o convidado de honra da Parada do Orgulho Gay de Berlim. Com uma camisa rosa, depositou uma flor diante do novo memorial na presença do prefeito da capital alemã, Klaus Wowerei, também homossexual.

Brazda participou de vários eventos nas escolas da Alsácia, na inauguração de placas em homenagem aos “triângulos rosas” em Mulhouse e no campo de concentração de Struthof (no Baixo Reno, na Alsácia), de onde foram deportados 215 homossexuais.

Ao lado de seu amigo Jean-Luc Schwab, Rudolf Brazda escreveu sua biografia “Itinerário de um triângulo rosa”, no qual relembrou os 32 meses no campo de concentração, os trabalhos forçados, a presença da morte, as agressões e as humilhações.

Em abril de 2010 ele foi nomeado cavaleiro da Legião de Honra francesa, uma alta condecoração do país.

 

Fonte: AFP

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